Devo repetir mais uma vez que a cirurgia operatória se aprende assistindo. A atenção dedicada a um mestre técnico, enquanto se o auxilia, torna a técnica do mestre uma segunda natureza; e o verdadeiro professor de cirurgia operatória, ao permitir que seu assistente complete ocasionalmente uma etapa da operação — ora uma, ora outra — conferirá ao aluno a confiança adequada em seu próprio poder e um sentimento de competência superior ao daquele que é deixado cedo demais por conta própria.
Existem, de fato, três grandes sistemas de formação em cirurgia: o britânico, o americano e o europeu continental. Cada um deles tem suas vantagens e, como cada dois dos três admitiriam em relação ao terceiro, suas desvantagens. É notável que, por mais diferentes que sejam, os três sistemas consigam produzir o mesmo tipo de elite e o mesmo tipo de cirurgião trabalhador, honesto e sem pretensões.
...não há base para se defender um único tipo de operação para os cânceres operáveis da mama, tampouco para se adotar uma política geral, a favor ou contra, no que diz respeito à irradiação, à remoção das glândulas endócrinas ou à terapia endócrina. Cirurgia, irradiação e terapia endócrina são espadas de dois gumes que tanto prejudicam quanto beneficiam. O desafio para o cirurgião é controlar o câncer da melhor forma possível e fazê-lo com o menor dano possível.